10 filmes sobre os direitos da criança e do adolescente

Por Ana Luísa Vieira

No livro “Vida, o Filme – Como o Entretenimento Conquistou a Realidade”, o autor Neal Gabler ressalta que, além de levar emoção à rotina, os filmes “nos prestam também um serviço psicológico inestimável”. Afinal, diz ele, “sejam quais forem as dores, não deveríamos querer afastar o sofrimento, as perdas e o desespero, mesmo que isso fosse possível. Precisamos deles para enrijecer, para que estejamos totalmente vivos e nos sintamos como tal”. Retratar difíceis realidades, valorizar as diferenças e sensibilizar o público estão justamente entre os objetivos da Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul. O evento chega à 9ª edição e segue em cartaz até 20 de dezembro em todas as capitais brasileiras, com entrada gratuita. Entre janeiro e março de 2015, os 41 filmes serão exibidos em mil pontos culturais do interior do país (confira aqui a programação completa). A Mostra é realizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), em parceria com o Ministério da Cultura e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Cena do filme Meu Amigo Nietzsche (Divulgação)

A pedido do Promenino, os curadores fizeram uma seleção de dez filmes que tratam dos direitos das crianças e dos adolescentes, sob os olhares de diretores de diferentes países. Sete deles compõem o guia deste ano – os outros três foram exibidos na Mostra de 2013. A reportagem conversou com o cineasta Daniel Nolasco, um dos organizadores do evento, a respeito da necessidade de se utilizar o cinema para provocar a reflexão sobre a infância. Confira:

Promenino: Qual a importância de se levar ao cinema os direitos humanos e sensibilizar o espectador sobre a temática?
Daniel Nolasco: O cinema tem nos dias atuais, e sempre teve no passado, um forte apelo popular e uma grande capacidade de comunicar e dialogar com as pessoas de todas as classes e grupos sociais. Aproximar as questões dos direitos humanos (como os direitos da criança e do adolescente, a luta dos movimentos sociais como LGBT, negros, mulheres, entre outros) da linguagem do cinema é uma forma de promover um debate e provocar uma conscientização sobre assuntos tão importantes. Filmes que abordam os temas dos direitos humanos têm a capacidade de instigar no espectador o debate, incitá-lo a uma conscientização sobre essas questões e ser um agente de mudança por uma sociedade mais justa e tolerante.

Promenino: Os direitos das crianças e dos adolescentes estão sempre presentes nas edições. Esta também é uma preocupação da Mostra, a de abordar todas essas esferas?
Daniel Nolasco: Uma das preocupações no momento de escolher os filmes que compõem a Mostra é a diversidade de temas relacionados aos direitos humanos. Este ano, por exemplo, temos filmes como “Polinter”, de Dafne Capella, um documentário que traz uma reflexão sobre as pessoas em situação prisional. “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro, aborda de maneira delicada a questão da deficiência visual na adolescência e do homoerotismo. “Galus Galus”, de Clarissa Duque, é uma animação da Venezuela que traz uma interessante reflexão sobre as pessoas em situação de rua. “Jessy”, de Paula Lice, Rodrigo Luna e Ronei Jorge aborda de maneira muito original a questão do gênero e da mulher. Esses filmes e os demais que compõem a Mostra deste ano, e dos anos anteriores, refletem a preocupação da curadoria de ter uma diversidade de temas representados e discutidos que ajudem a pensar sobre os direitos humanos em todas as esferas e possibilidades.

Promenino: Sobre os filmes selecionados [lista abaixo], há algum destaque?
Daniel Nolasco: No ano passado, um dos destaques foi o média-metragem, dirigido por Theresa Jessouroun, “Quando a Casa é a Rua”. O filme faz um retrato corajoso de como vivem as crianças e adolescentes em situação de rua no Rio de Janeiro e na Cidade do México, e recebeu o prêmio do público na categoria de média-metragem na Mostra de 2013. Este ano três filmes que abordam temas relacionados à criança e ao adolescente são obras premiadas: “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro, recebeu o Prêmio Teddy e o Prêmio da Crítica Fipresci [The International Federation of Film Critics] no Festival de Berlim. Além de ser o filme escolhido para ser o representante do Brasil na disputa por uma indicação na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar do próximo ano. “Sanã”, de Marcos Pimentel, recebeu o Grande Prêmio Curta Cinema de 2013. “Meu Amigo Nietzsche”, de Fáuston da Silva, foi escolhido pelo público como o melhor curta-metragem no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand e conquistou também o reconhecimento dos jurados com o Prêmio “Fernand Raynaud” de melhor comédia. Um dos destaques é o curta “Sophia”, de Kennel Rógis, que procura entender como é o universo sonoro da personagem Sophia, que possui deficiência auditiva.

Confira, abaixo, as sinopses e os trailers dos filmes.

6 Cups of Chai – Laila Khan (Índia, 2014, 7′)
O menino Dharavi trabalha como vendedor de chá e mora na favela mais pobre de Mumbai, na Índia. Ele alimenta um simples desejo: ir à escola como as outras crianças.

 

Growing – Tariq Rimawi (Jordânia, 2013, 5′)
Animação sobre uma criança que brinca com arma de brinquedo e cresce junto com ela.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – Daniel Ribeiro (Brasil, 2014, 95′)
Leonardo, um adolescente cego, tem de lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel chega à cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

Meu Amigo Nietzsche – Fáuston da Silva (Brasil, 2013, 15’)
Filmado na periferia de Brasília, traz a história do garoto Lucas, que encontra no lixão um livro de Nietzsche. A obra faz a vida dele mudar.

Requília – Renata Diniz (Brasil, 2013, 15’53”)
Um garoto de 7 anos se afeiçoa por um homem em situação de rua. O curta-metragem traz a história dessa amizade inesperada entre personagens de diferentes gerações e classes sociais.

Sanã – Marcos Pimentel (Brasil, 2013, 18′)
No interior do estado do Maranhão, as buscas de um menino pela imensidão da paisagem.

Sophia – Kennel Rógis (Brasil, 2013, 15′)
No intuito de entender melhor o universo de Sophia, Joana, mãe dedicada, vive uma sucessão de experiências. Uma história de amor cercada de poesia visual e delicada trilha sonora.

Quando a Casa é a Rua – Thereza Jessouroun (Brasil, 2012, 35’) *
O que leva crianças e jovens a viver na rua? O documentário procura responder a essa pergunta com depoimentos e imagens cotidianas de jovens que cresceram nas ruas da Cidade do México e do Rio de Janeiro.

Leve-me Pra Sair – Zé Agripino (Coletivo Lumika) (Brasil, 2012, 19’) *
Retrata um grupo de adolescentes gays da cidade de São Paulo e suas visões de mundo.

O Prisioneiro – Martin Deus, Omar Zambrano e Juan Chappa (Venezuela, 2012, 24’) *
Um grupo de escoteiros participa de um jogo de estratégia nas montanhas, quando dois integrantes de uma das equipes decidem aprisionar um adversário.

*Os três útimos filmes não estão em cartaz na 9ª Mostra, pois fizeram parte da edição 2013.

Título original: Especialistas recomendam 10 filmes sobre os direitos da criança e do adolescente

Fonte: Rede Promenino com Cidade Escola Aprendiz

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s