Rio 450 anos: a juventude negra quer continuar viva

Por Mônica Francisco, Jornal do Brasil 

O Rio de Janeiro continua deslumbrante! Não poderia iniciar meu artigo sem exclamar minha fascinação por esta linda cidade, ainda mais porque minha filha caçula faz aniversário no mesmo dia, então, comemoração dobrada. Muitas programações na cidade, festas, o tradicional bolo e muito sol. Sem dúvida, o verão foi criado por causa do Rio. Ela fica deslumbrante ao sol, é fato. Vamos todos celebrar essa data, uma grande celebração. Só que alguns cariocas não vão poder nos acompanhar nesta linda celebração. Alan Souza de Lima, de 15 anos, deixou no celular o vídeo com sua justificativa de ausência. Haíssa Vargas Motta, de 22 anos, também não vai nos acompanhar. Cláudia Silva Ferreira, de 38 anos, tampouco. É uma situação catastrófica, asfixiante. Essa é a tradução da vida dos jovens que vivem nestas áreas.

Juventude Negra do Brasil - Rafael Braga Vieira

Não basta ser preterido do Rio formal, não basta ser impedido de dar um rolezinho ali na área dos cidadãos de primeira classe, tem que se punir ainda mais. É assim na favela o lugar da brincadeira, do encontro com os amigos na esquina ou no beco, e pode ser o lugar do seu martírio.

Não consegui continuar vendo o vídeo dos meninos da Palmeirinha. É doloroso demais, é sufocante demais. O gemido de Alan agonizando e a prece desesperada do amigo Chaun Jambre Cezario, implorando por sua vida, é a trilha sonora recorrente nas muitas favelas do Rio Maravilha.

Mas é festa. Os cidadãos cariocas de nascimento (ou da gema), ou de coração, vão se esbaldar nas comemorações, e que seja assim. Afinal de contas, a última coisa que vai tirar o sono da grande maioria anestesiada e entorpecida pela desumanização do outro e da cúpula da segurança pública e do governo do Estado é mais um resultado de uma  ” falha de conduta” isolada, de sujeitos isolados, que comprometem o excelente trabalho da corporação que mais assassina jovens homens negros.

Que possamos testemunhar um Rio melhor. A juventude negra do Brasil quer continuar viva!

“A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!”

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)

Imagem: Juventude Negra do Brasil

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