Habitantes das favelas do Rio criam rede para se defender dos abusos policiais

favelas rj

Era mais uma noite de abril de 2015 no Complexo do Alemão, uma dos maiores conjuntos de favela do Rio de Janeiro. Sentando na porta de sua casa, Eduardo, 10 anos, brincava com o telefone. Esperava a volta da sua irmã enquanto sua mãe preparava o jantar. Era assim todos os dias.

Mas logo a normalidade cotidiana acabou. Um estampido, um grito de dor pedindo ajuda: mãe!

A mãe de Eduardo, Terezinha Maria de Jesus, saiu rapidamente de casa e viu o que nenhuma mãe deveria jamais ver. O corpo de Eduardo estava no chão, sem vida. Em volta, havia um grupo de policiais militares.

Terezinha afirma que um deles disse que Eduardo era filho de um criminoso e ele advertiu que poderia matá-la assim como matou ao menino.

Em pouco tempo, um multidão havia se formado. Algumas pessoas impediam os policiais de aproximarem de Terezinha, enquanto outras vigiavam para que ninguém colocasse uma arma próxima al cadáver, com objetivo de alterar a cena e ocultar que haviam disparado contra uma criança desarmada. Várias pessoas começaram a registrar o momento com seus telefone. Sabiam que a melhor resposta era gravar tudo.

“Subimos nos telhados para gravar de um bom ângulo”, explica Raull Santiago, jovem de 27 anos, morador da favela.

Os vídeos foram a principal prova, em umas das poucas investigações levadas até o fim sobre o que parece ter sido um homicídio deliberado e arbitrário, cometido pela polícia em uma favela.

Em novembro de 2015, a Divisão de Homicídio da Polícia Civil reconheceu que a bala que havia matado Eduardo havia sido disparada por um policial militar, mas afirmou que havia sido em legítima defesa. A explicação era tão insustentável que um policial acusou formalmente de homicídio a outro. A causa contra o policial segue aberta,

“Fez falta um telefone para que a gente pudesse mostrar o que tempo que levava tudo que estávamos dizendo”, afirma Raull.

Raull faz parte de uma geração de jovens brasileiros que aproveitam a tecnologia para informar o escandaloso índice de homicídios no país e das numerosas violações de direitos humanos cometidas pelas forças de segurança.

Via Anistia Internacional

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