Quando a periferia será o lugar certo, na hora certa?

Por Eliane Brum*, El País

A maior chacina de 2015, em São Paulo, mostra que as palavras começam a matar antes da morte e seguem assassinando os vivos depois

As fotos do 13 de agosto mostram mulheres lavando o sangue dos mortos com rodo, como nos filmes B de terror. Se o rio vermelho escorre pelos degraus, as palavras ecoam para além da extensa fila de cadáveres. Elas matam lentamente, como balas em câmera lenta, que perfuram os corpos, se espatifam por dentro e vão corroendo os órgãos. Dia após dia, dia após dia, dia após dia. Mata-se e morre-se também na linguagem. As palavras silenciam os mortos para além da morte. E calam os vivos, mesmo quando eles pensam gritar.

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Nota Pública do Conanda sobre chacina do Cabula, em Salvador

Por Douglas Belchior, do blog Negro Belchior

“Se só de pensar em matar, já matou”

Racionais MC’s

Assumi, ao lado de valorosas personalidades comprometidas com a promoção dos direitos humanos e sobretudo, das crianças e adolescentes, a tarefa de compor o CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente, no biênio 2015/2016.

Já na primeira Assembleia, a sensibilidade dos membros deste conselho resultou na aprovação da nota pública de repúdio à chacina promovida pela PM, no bairro do Cabula, periferia de Salvador, bem como na instalação de um grupo de trabalho para tratar especificamente sobre o tema Genocídio da Juventude Negra. Continuar lendo

Olhe bem para Natanael, 17. Agora explique para dona Marina ele ser assaltante de banco

NatanaelXMarina

Ele estava com bermuda azul, de brim, e uma etiqueta escrito Mido. Estava de costas e parecia meio jogado entre a dezena de corpos que se espalhavam pela foto. Foi essa é visão que fez Marina Lima ter certeza que o neto Natanael era um dos doze executados da Vila Moisés, periferia de Salvador, no Cabula, madrugada de 6 de fevereiro, uma sexta-feira antes do carnaval. Ela mesma tinha costurado a etiqueta na bermuda, aliás, como fazia com as cuecas para dar a impressão de serem de grife.

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