Estudo revela que 100% das presas no estado do Acre são negras

Por Douglas Belchior, com informações do Infopen e ContilNetNoticias e EBC.

No início de Novembro o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e de Medidas Socioeducativas do CNJ (DMF/CNJ) divulgou números atualizados relativos ao encarceramento feminino no país. A população carcerária feminina subiu de 5.601 para 37.380 detentas entre 2000 e 2014, um crescimento de 567% em 15 anos. Destas, duas em cada três, são negras. No total, as mulheres representam 6,4% da população carcerária do Brasil, que é de aproximadamente 607 mil detentos. Na comparação com outros países, o Brasil apresenta a quinta maior população carcerária feminina do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (205.400 detentas), China (103.766) Rússia (53.304) e Tailândia (44.751).

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Sarah Baartman e Inês Brasil: O corpo das mulheres negras exposto para diversão

Racismo e machismo atuam há séculos de forma a desumanizar e objetificar não brancas, negando assim o direito a si mesma

Por Luka, Ópera Mundi

Há algum tempo a forma que Inês Brasil é exposta me incomoda bastante, há elementos em como acontece esse processo que pra mim remetem a forma que Sarah Baartman foi exposta e explorada pela Europa. Essa semana circulou pelas redes sociais um texto criticando aqueles que são fãs da artista (não lembro o nome do autor do texto e nem encontrei o link quem tiver me passe que linko aqui), há diversas questões no texto que pra mim são dispensáveis, porém ele bateu numa tecla acendendo uma luz vermelha, na mesma semana a Djamila postou este link aqui sobre a polêmica de Beyoncé interpretar o papel de Sarah Baartman no cinema.

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Sarah Baartman

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Jovem desenvolve técnica para reproduzir características de mulheres negras em bonecas

Por TV Brasil

A jovem estudante do Distrito Federal, Ingrith Calazans, desenvolvou uma técnica para reproduzir características de mulheres negras em brinquedos. Ela resolveu produzir bonecas que pudessem representar as negras após procurar um presente e perceber que era muito difícil encontrar bonecas com características negras nas prateleiras das lojas de brinquedos. Confira o vídeo com a reportagem completa:

 

 

Mulheres Negras em luta lançam Manifesto

Por Douglas Belchior, Blog Negro Belchior

O dia 18 de Novembro de 2015 será histórico. Milhares de mulheres negras devem ocupar a esplanada dos ministérios, em Brasília, a fim de manifestar a exigência, junto ao Estado brasileiro, de equidade de gênero, racial e social. Esta ação, batizada de Marcha das Mulheres Negras 2015, será um marco na denúncia e na busca pela superação do racismo e do patriarcado, elementos fundantes e estruturantes da sociedade brasileira. Neste último sábado, a Uneafro-Brasil promoveu um encontro de formação e arrecadação de recursos para contribuir com a mobilização. Na ocasião fora divulgado o Manifesto das Mulheres da Uneafro.
Marcha Mulheres Negras 2015 - Manifesto - Blog Negro Belchior
O encontro aconteceu no sábado, dia 8 de Agosto,
na Sub-Sede da Apeoesp de Itaquera, Zona Leste de São Paulo.

Do site da Uneafro-Brasil com fotos de João Novaes

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Eu negra.

Por Vanessa Rodrigues

Não vou começar esse texto dizendo que sou filha de mãe branca e pai negro, porque até é um pouco isso, mas não bem assim. Minha mãe é o que costumamos chamar de morena com o cabelo liso, numa aparência mais indígena (e sabemos que cabelo liso automaticamente branqueia um brasileiro). Meu pai era negro, mas com traços caucasianos (ou “finos” como dizem, ao descrevê-lo). Ele, sim, filho de pai branco e mãe negra.

E nasci eu, uma criança “embaralhada nesse ser-não-ser negra”, como perfeitamente definiu Lia Siqueira (“Nós resistimos, negra soy!”). Assim vivi minha infância: podendo ser considerada fenotipicamente branca, de pele clara (fui chamada de galega por anos), cabelos bem cacheados castanhos quase loiros (“cachinhos de ouro” foi meu apelido dado por minha avó), mas com traços de negro: nariz e lábios “grossos”, por exemplo. E, à medida que o tempo ia passando, no corpo também a minha miscigenação ia se pronunciando mais ainda. Não a toa fui uma criança hipersexualizada. O assédio de rua que sofri começou cedo: 9 anos é minha lembrança mais remota. Hoje, tenho plena clareza que isso também passava pelo racismo.

Eu negra

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