7 filmes para questionar o modelo tradicional de educação

Por Talula Mel, Painel Acadêmico/UOL

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Como estrela na Terra – Toda criança é especial: O pequeno Ishaan Awasthi (Darsheel Safary) e o Professor Nikumbh (Aamir Khan)

 

Tarja Branca – A revolução que faltava (Brasil) – Cacau Rhoden, 2014

A educação não se limita à escola ou ao formal aprendizado ler-e-escrever. Nesse documentário, dirigido por Cacau Rhoden, adultos e crianças de diferentes gerações, origens e profissões dão seus depoimentos sobre a pluralidade do ato de brincar e a riqueza que essas brincadeiras representam na formação do indivíduo. Tarja Branca – A revolução que faltava mostra as diferentes formas de como a brincadeira, ação tão primordial à natureza humana, pode estar interligada com o comportamento do homem contemporâneo e seu espírito lúdico. O ato de brincar se revela como linguagem universal, pioneiro na arte de educar crianças em todo canto desse mundo.

 

 

Quando Sinto Que Já Sei (Brasil) – 2014

Durante dois anos, os realizadores do documentário visitaram, em oito cidades brasileiras, projetos que estão criando novas abordagens e caminhos para uma educação mais próxima da participação cidadã, da autonomia e da afetividade. O filme reúne depoimentos de pais, alunos, educadores e profissionais de diversas áreas sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escola. A ideia surgiu de questionamentos em relação à escola convencional, da percepção de que valores importantes da formação humana estão sendo deixados fora da sala de aula. A etapa final do projeto foi financiada com a colaboração de 487 apoiadores através de uma campanha de financiamento coletivo.

 

 

Como Estrela na Terra – Toda criança é especial (Índia) – Aamir Khan, 2007

“Um filme que emociona e faz refletir por dias e dias”. Ele retrata o preconceito de uma sociedade que confunde ‘educação’ com ‘adestramento’ e a pressão psicológica que crianças sofrem ao redor do mundo por, simplesmente, não se enquadrarem no perfil “nota 10” que exigem delas. O drama é vivenciado por Ichaan Awasthi, uma criança indiana de nove anos de idade que, segundo determinaram como padrão para sua idade, não escrevia nem lia bem. No entanto, usava sua imaginação para criar e aprender coisas que eram parte do seu universo, mas que não constavam no currículo escolar. A repressão vinha de todos os lados e, com o tempo, Ichaan foi se tornando um garoto triste e sem auto- estima. Para piorar a situação, seu irmão mais velho era o melhor aluno da classe, o que pesava ainda mais nas comparações e cobranças. Abandono, castigo e exclusão faziam parte dos dias de Ichaan, até que um professor chega para dar aula em sua escola e percebe que naquela criança, onde todos viam desleixo, há um grande potencial criador e artístico.


O pequeno Ishaan Awasthi (Darsheel Safary) e o Professor Nikumbh (Aamir Khan)

 

Educação Proibida (América Latina) – Germán Doin, 2012

A partir de uma viagem de três anos pela América Latina, mais de cem experiências e propostas educativas não convencionais, o jovem Germán Doin abriu o projeto para financiamento colaborativo em uma plataforma própria, pois ainda não existiam sites para isso, e, em pouco tempo, “A Educação Proibida” tornou-se o primeiro filme feito na América do Sul por meio do crowdfunding. O documentário questiona a escolarização moderna e propõe um novo modelo educativo. Ele faz uma retrospectiva do atual sistema educacional, originado do padrão militar de educação da Prússia, no século 18, que tinha como objetivo gerar uma massa de pessoas obedientes e competitivas, com disposição para guerrear. As escolas são colocadas no mesmo patamar das fábricas e dos presídios, com seus portões, grades e muros; com horários estipulados de entrada e de saída, fardamento obrigatório, intervalos e sirenes indicando o início e o fim das aulas. É aí que nos damos conta que o sistema educacional vigente acaba refletindo estruturas políticas autoritárias, que produzem cidadãos para servir ao sistema, e não transformá-lo. Esse foi o modelo que se espalhou pela Europa e, depois, chegou à América do Sul: um projeto que não leva em consideração a natureza da criança, a liberdade de escolha ou a importância das relações humanas no processo de aprendizagem, no desenvolvimento individual e coletivo. Assim, se faz urgente a busca por uma nova educação: a Educação Proibida.

(A proposta de Doin é fazer com o filme o mesmo que ele acredita que deve ser feito em relação à educação: deixar solto, não controlar o processo criativo, não barrar o compartilhamento da obra, pelo contrário, incentivá-lo. A exibição e circulação do documentário é livre e já foi compartilhado por mais de dez milhões de pessoas.)

 

 

Maria Montessori – Educação e Vida (Gianluca Maria Tavarelli, 2007)

O filme conta a história Maria Montessori (1870 – 1952), uma mulher persistente, sonhadora, teimosa e corajosa numa época em que o papel principal da mulher era ser submissa, mãe e dona de casa; retrata suas lutas contra o fascismo italiano pela aceitação de seu método de ensino e a revolução de seu trabalho para o universo da educação.  Montessori foi a primeira mulher a se formar em medicina na Itália, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Roma, em 1896, e foi lá que iniciou um trabalho com crianças especiais na clínica da universidade, ajudando a alfabetizá-las. A pedagogia do Método Montessori faz com que a criança aprenda com seus próprios erros, tendo como princípios fundamentais a atividade, a individualidade e a liberdade. Maria era contra a violência física e psicológica (como palmadas e castigos). Seus escritos contribuíram bastante para a educação infantil e sua pedagogia se reflete no movimento das Escolas Novas e pedagogia Waldorf, opondo-se aos métodos tradicionais que não respeitam as necessidades e os mecanismos evolutivos do desenvolvimento da criança.


“Eu descobri a criança”, com essa frase Maria Montessori resumiu a sua vida

 

Entre os muros da escola (França) – Laurent Cantet, 2009

O filme conta a história de François Marin (François Bégaudeau) e seus colegas professores na complexa dinâmica de uma escola da periferia parisiense. Na sala de aula, um microcosmo da França contemporânea se apresenta para ele, com toda diversidade cultural entre os jovens e os vestígios do colonialismo francês que se fazem presentes. Adolescentes de vários países da África, do Oriente Médio e da Ásia expõem seus conflitos individuais e sociais no lugar onde passam a maior parte do tempo: a escola. Há uma diferença cultural e social que gera incompreensão e atrito entre ambas as partes, em um retrato do que seria a França contemporânea. Os muros da escola simbolizam a divisão entre vários lados: professores x alunos, franceses x estrangeiros, mas há também os muros invisíveis, que não passam despercebidos ao longo do filme.

 

 

Pro dia nascer feliz (Brasil) – João Jardim, 2006

“O belíssimo documentário de João Jardim é um dos raros filmes que retratam com delicadeza e sensibilidade a cruel realidade da vida de adolescentes na escola” (Yvonne Maggie, antropóloga e professora). O filme descreve o cotidiano de jovens em escolas de diferentes regiões brasileiras. Do sertão de Pernambuco a um bairro elitizado de São Paulo, passando por uma instituição para adolescentes em conflito com a lei, Jardim encontra excelentes personagens para expor a complexidade da educação no Brasil, entrevistando estudantes e professores em seus ambientes e rituais escolares. O sofrimento, a solidão, os medos e os sonhos desses jovens são narrados por suas próprias vozes, em depoimentos emocionantes e reveladores, assim como a batalha de quem trabalha, com pouquíssimos recursos, em um sistema historicamente defeituoso no que diz respeito à educação.

 

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